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domingo, 9 de janeiro de 2011

Pra não dizer...

Durante minhas idas e vindas pelo Twitter, descobri que a Globo News reprisou, há pouco, uma entrevista com o Geraldo Vandré,  Pra quem perdeu, está aqui:


Ouvi umas histórias muito malucas sobre o paradeiro de um dos maiores gênios da MPB da década de 1960, uma época em que toda a cultura mundial estava ebulindo efervescentemente em razão a vários conflitos entre populares e marechais da Ditadura. Uma das histórias ( das várias fantásticas que meu pai contava ) era de que Geraldo Vandré levara uma surra dos militares quando cantava. Na segunda vez que o pegaram, cortaram os dedos para que não tocasse mais violão. 

"Protesto é  coisa de 
quem não tem poder"
( Geraldo Vandré )

Meia verdade: ele parou de tocar mas continuou atuando na produção musical. A visão política de Geraldo era tão atiçada porque, na época do Golpe Militar, a 31 de março de 1964, o compositor e cantor era funcionário público federal.

Geraldo Vandré é vítima de uma grande ironia. Aos 27min de programa, soldados da Força Aérea Brasileira - militares, portanto - entoam "Caminhando". A explicação é mais confusa ainda: Geraldo compôs uma música para a grande paixão platônica, a FAB: Fabiana, ainda não gravada.

Desde os tempos distantes de criança
Numa força sem par do pensamento,
Tem sentido infinito e resultante
Do que sempre será meu sentimento;
Todo teu, todo amor e encantamento,
Vertente, resplendor e firmamento.
Vive em tuas asas, todo o meu viver;
Meu sonhar marinho, todo amanhecer.
Como a flor do melhor entendimento,
A certeza que nunca me faltou,
Na firmeza do teu querer bastante,
Seja perto ou distante é meu sustento;
De lamentos nao vive o que é querente
Do teu ser, no passado e no presente.
Vive em tuas asas, todo meu viver;
Meu sonhar marinho, todo amanhecer
Do futuro direi que sabem gentes,
De todos os rincões e continentes,
Que só tu sabes do meu querer silente,
Porque só tu soubeste, enquanto infante,
Das luzes do luzir mais reluzente,
Pertencer ao meu ser mais permanente.
Vive em tuas asas, todo o meu viver;
Meu Sonhar marinho, todo amanhecer.

Geraldo Vandré vive hoje, sozinho aos 75 anos de idade, na capital paulista e viaja frequentemente ao Rio de Janeiro a cuidar de sua mãe. E tem um projeto artístico: o de gravar músicas para a América espanhola. Afinal, como o próprio Vandré cita no programa, "a vida não se resume a Festivais".

Só não concordei com a imagem de "coitado", "esquecido" e "sozinho" que a direção do programa tenta impor no final da entrevista. Pelo contrário: ele é servidor federal aposentado. E, convenhamos, os tempos artísticos são outros.

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